Luís Andrade no Panoramofônico

Luís Andrade _ Panoramofônico _ Fragmentos da Fala
(link para compêndio de todos os fragmentos dentro da plataforma Estúdio Livre)

Luis Andrade_ Panoramofônico_ fragmento 01_ 5m23s

“Éden aparente…o verdadeiro seio do mar… tudo é arrebatador neste paraíso tropical…o sorriso da terráquea beleza do universo… não, eu não exagero, todos sabem que a natureza é vaidosa…terra tão desejada…

[…]

os livros ensinam…esta praia custará muito sangue…”

Luis Andrade_ Panoramofônico_ fragmento 02 _ 2m34s

“isso aí que vocês ouviram não é um texto meu…isso aí é uma colagem de um material que me foi entregue a coisa de uns dez anos atrás… que resume as primeiras impressões de quem um dia chegou no Rio de Janeiro… as primeiras impressões dos assassinos, dos artistas, dos turistas…essas são as suas primeiras impressões…todas elas arrebatadoras…porque ninguém é daqui… e um dia chegou aqui, Rio de Janeiro… eu também não sou daqui…

[…]

eu chego no rio na transição dos anos 70 para 80, 79 para 80, o que para mim, por si só, já foi uma enorme transição, mas na vida adulta, eu entendi o que significava a transição… o político é fenomenológico e portanto as transições implicam em todo, todo, todo o espectro…”

Luis Andrade_ Panoramofônico_ fragmento 03_ 3m34s

“estar em movimento significa rever a própria situação permanentemente… este texto é fruto de algo que me ocorreu entre 89 e 90, ou seja, dez anos depois de eu vir morar no Rio de janeiro…foi quando eu passei dois anos fora do pais, e voltei …na virada de década…estava mais uma vez assim, saindo de um lugar para o outro… e quando eu chego no Rio de Janeiro, eu comecei a tomar nota de alguns episódios que se iniciaram dia 15 de março de 1990, foi quando Collor 1 assumiu a presidência da república e extinguiu a Funarte 2, e por consequência extinguiu uma série de órgãos ligados à promoção, arquivo, e, em suma, ao andamento da cultura no Brasil … eu passei a ver o Rio de Janeiro duplamente estranho, que eu já tinha uma estranheza existencial, passei a ver com uma estranheza política…

[…]

a década de 90 foi uma catástrofe para o Rio de Janeiro, o meu texto tenta elencar…as sucessivas baixas que a cultura sofreu durante aquela década …e como as formas de energias se transformaram também, diante disso tudo, ou seja, não existe passividade…”

notas:

1-http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/collor/home.html

2- Em 1975, com a finalidade de promover, estimular, desenvolver atividades culturais em todo o Brasil criou-se a Fundação Nacional de Arte – Funarte. Nesta época suas atividades englobavam música (popular e erudita) e artes plásticas e visuais. Convivia com o Instituto Nacional de Folclore – INF, Fundação Nacional de Artes Cênicas – Fundacen e a Fundação do Cinema Brasileiro – FCB, todas ligadas ao Ministério da Educação e Cultura, posteriormente transformado em Ministério da Cultura. 

Em Março de 1990, ao assumir a presidência, Collor extinguiu todas as instituições culturais. Em Dezembro criou o Instituto Brasileiro de Arte e Cultura – IBAC – ligado diretamente à Secretaria de Cultura da Presidência da República (que depois voltou a ser, novamente, Ministério). O IBAC englobava a Funarte, Fundacen, e FCB. Em 1994 a sigla Funarte substituiu a sigla IBAC.

http://officialsite.com/index2.asp?S=Funarte-&R=47&C=1&L=10310


Luis Andrade_ Panoramofônico_ fragmento 04_ 5m36s

“então o Rio 40o Fahrenheit 1 …é uma discreta homenagem ao Nelson Pereira dos Santos 2, pelo filme Rio 40 o 3, que introduz pela primeira vez a favela no cenário urbano, seja do imaginário artístico ou mesmo social…também um discreto tapa em homenagem ao Fausto Fawcett 4.. composição chamada Rio 40o 5 , que é muito reveladora…expõe todos estes contrastes, esta situação flutuante…que não permite que ninguém descanse ou baixe as armas…

[…]

eu sei que é um texto extenso… foi inclusive cortado pela metade, ele se destinava a ser um livro, bem ilustrado, incluindo imagens de uma produção artística de duas décadas..não escrevi como artigo, eu simplesmente fui escrevendo…e em vez de colocar celsius pus fahrenheit…não seria exatamente um histrionismo…

[…]

quando publiquei em 2003, embora tendo escrito ao longo de quatorze anos…foi engraçado ver como a palavra fahrenheit foi usada naquela ano, além do Michael Moore 6, foi reeditado o filme do François Truffaut 7, Fahrenheit 451 8, que é o romance do Ray Bradbury 9… ali você vê o final… o grau zero da cultura…então a terminologia que empreguei no título do texto, procura reacender esta percepção de que os sistemas são [feitos] de valores, não são absolutos, portanto a medida que você os põe em movimento, você pode perfeitamente interferir na dominação que eles teriam perante a consciência…”

notas:

1-https://jogosdeescuta.wordpress.com/panoramofonico/rio-40º-fahrenheit/

2-http://www.scielo.br/pdf/ea/v21n59/a25v2159.pdf

3-http://thepiratebay.org/torrent/4007457/Rio_40_Graus_-_Nelson_Pereira_dos_Santos

4-http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/fausto-fawcett

5-http://www.youtube.com/watch?v=VheX75Do8Rg

6-http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u16375.shtml

http://torrentpump.com/torrents/portuguese-legendas-fahrenheit-9-11-page5

7-http://bravonline.abril.com.br/conteudo/cinema/cinemamateria_412472.shtml

8-http://www.youtube.com/watch?v=M9n98SXNGl8

http://thepiratebay.org/search/fahrenheit%20451/0/99/0

9-http://www.truly-free.org/

http://www.4shared.com/account/file/10221106/fa45d8e7/Ray_Bradbury_-_Fahrenheit_451_.html

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